Semana inaugural do Ministério de N. Sr. Jesus Cristo

 EVANGELHO DE SÃO JOÃO: SEMANA INAUGURAL DO MINISTÉRIO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO
A SEMANA INAUGURAL DO MINISTÉRIO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, DO ANÚNCIO DA NOVA ECONOMIA DA SALVAÇÃO, DA NOVA E ETERNA ALIANÇA.


Trata-se de uma gloriosa semana de preparação e manifestação dos desígnios de Deus, do testemunho de João Batista às Núpcias do Cordeiro de Deus (Bodas de Caná da Galiléia).

Primeiro dia:
João dá testemunho de Jesus, em Betânia, do outro lado do Jordão. Ele diz: “… No meio de vós, está alguém que não conheceis,… do qual não sou digno de desatar a correia da sandália”.

Segundo dia:
João vê Jesus aproximar-se dele e diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. “Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou adiante de mim, porque existia antes de mim.” “Eu não o conhecia, mas para que ele fosse manifestado a Israel, eu vim batizar com água”. E João dá este testemunho: ”Vi o Espírito descer, como uma pomba, vindo do céu, e permanecer sobre ele”. “… E eu vi e dou testemunho que ele é o Eleito de Deus”.

Terceiro dia:
Jesus reúne seus primeiros discípulos. Aconteceu que João Batista se encontrava lá outra vez, e estava em companhia de dois de seus discípulos. Quando João Batista viu Jesus passando disse: “Eis o Cordeiro de Deus”. Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. Depois Pedro, irmão de um deles, juntou-se ao pequeno grupo.
Quarto dia:
Jesus resolve partir para a Galiléia, encontrou Filipe e, em seguida, Natanael.

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Três dias após haver constituído o seu pequeno grupo de discípulo (André, Pedro, Tiago, João, Filipe e Natanael), Jesus fora, com eles, convidado a participar de uma festa de casamento, em Caná da Galiléia.
A festa de casamento vem fechar a grande semana inaugural do Ministério de Nosso Senhor Jesus Cristo.
É muito edificante, até emocionante, imaginar como tudo estava sendo determinado por Deus para ser realizado por meio de seus escolhidos.

Do modo como o Santo Evangelho (São João: Cap. 2, Bíblia Ave Maria) nos relata, a Virgem Maria estava na festa e aparecia como figura central. Mas, ela transferiu esta centralidade ao seu divino filho Jesus, o grande protagonista da reunião; acontecimento preparado por Deus desde toda a eternidade.

Uma festa de casamento era o propósito daquela reunião. Entretanto, o Evangelista não se prendeu a este fato; sequer, mencionou os nomes dos noivos ou dos promotores da festa. Isto nos leva a considerar que o verdadeiro objetivo daquela reunião familiar ou, pelo menos, do autor sagrado, era, mesmo, ressaltar a manifestação da glória de Deus em Seu amado filho Jesus Cristo; uma eloquente manifestação de Jesus à sua comunidade familiar; a festa das Núpcias do Cordeiro de Deus; das núpcias de Deus com a humanidade; a manifestação da glória do Eterno aos que, ali, estavam reunidos: os noivos e seus familiares, Maria Santíssima com seus parentes, os discípulos de Jesus e os demais convidados.

É isto que nos relata o inspirado evangelista S. João.

Em Jo 2, os lances da gloriosa manifestação na festa de Caná da Galiléia põe em evidência a Santíssima Virgem Maria.

Maria, a serva predileta de Deus, está colocada como instrumento na mão do Pai Criador.  Inspirada por Deus, ela constatou, na continuidade da festa, que não havia mais vinho. E dirigiu-se a Jesus para dizer-lhe: “Eles não têm mais vinho!…”.

Isto nos soa como um grande alerta de Deus, pela boca de Maria, a respeito da miséria que, naquele tempo, se abatia sobre o povo de Deus.

Maria disse: “eles não têm mais vinho!…” ou seja, a festa acabou; a última taça de vinho fora servida – vinho que fora classificado pelo chefe da mesa como não sendo “tão bom quanto” o vinho novo, manifestação de Jesus. O vinho da Nova Aliança estava na sala, pronto para ser anunciado, enquanto era servida a última taça do vinho antigo (os ensinamentos da Antiga Aliança que já haviam provado sua eficácia na condução do Povo de Deus e que precisavam ser reafirmados, conforme já havia sido anunciado pelos profetas).

A manifestação da Nova e Eterna Aliança é a manifestação de Jesus mesmo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, como São João Batista já o havia proclamado. E aquela festa de casamento tornou-se a festa das Núpcias do Cordeiro, o casamento do autor da vida com Seu povo amado. Casamento significa amor, doação… Amando-os, Jesus doou-lhes Sua vida para que todos pudessem alcançar vida plena.

O batismo com água praticado por João Batista gerou os primeiros discípulos de Jesus, tornando-se, assim, a fonte de onde brotou a água para o milagre do vinho das Bodas de Caná.

Batizando com água do Jordão João promoveu o encontro de Jesus com seus primeiros discípulos, não antes de testemunhar que Jesus era o Eleito de Deus.

Água no Jordão e nas talhas das bodas de Caná: sinal de fé e de conversão.

A água posta em seis talhas de pedra, e mudada em vinho pela graça, poder e misericórdia de Deus, já prefigurava a transubstanciação do vinho em sangue de Jesus Cristo, na mesa eucarística, para alimento espiritual e salvação eterna dos que os recebem com fé e amor.

Seis discípulos estavam ali, com Jesus; e seis eram, também, as talhas de pedra postas para guardar o vinho bom daquela festa (Jesus, a palavra de Deus). Em cada talha cabia de 2 a 3 medidas de agua/vinho; cada discípulo, ali presente, representava dois ou três outros, que a eles se juntariam, depois.

Houve uma preparação:
No prólogo do Cap. I do Evangelho de São João, o vinho antigo é mostrado em sua intima interação com o vinho da Nova Aliança: Palavra eterna de Deus, sempre presente e sempre nova no seio da humanidade.

Em seguida, o Evangelista relata o testemunho de São João Batista; um testemunho em favor do Verbo Divino que se fez carne para Salvar a humanidade.

Emissários de Jerusalém perguntaram a João Batista quem ele era. João disse-lhes eu batizo apenas com água; não sou o Cordeiro de Deus aquele que trará o vinho novo. Ele já se encontra entre nós e batiza com o Espírito Santo. Sequer, sou digno de lhe desatar as sandálias. Também, não sou o distribuidor do vinho antigo (o Profeta). Eu sou apenas “a voz do que clama no deserto: endireitai os caminhos do Senhor”, como disse o Profeta Isaías.

Deus fez a voz de João ecoar no deserto como fez a voz de Maria ser ouvida em diversos momentos. Cada um a seu modo, preparou os caminhos do Senhor entre os seres humanos.

Maria, escolhida por Deus para mãe do Filho do Homem, colocou-se disponível, dizendo ao Anjo São Gabriel: “Faça-se em mim segundo a tua palavra!”. E sua tarefa de mãe nunca mais findou porque, depois, diante do filho crucificado, Maria assumiu, na pessoa do discípulo João, a maternidade do gênero humano. Eis porque podemos dispor de uma Mãe bendita e cheia de graças, no céu, agora, e na hora de nossa morte!…

João Batista foi enviado por Deus para testemunhar em favor de Jesus, Luz que, em seguida, haveria de vir ao mundo.

Tem-se, aqui, uma situação muito comovente: Jesus estava no mundo, o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu. Deus precisou enviar João Batista para testemunhar em favor de Jesus; dizer que Jesus existe, está presente no mundo e irá batizar com o Espírito Santo.

João não era a Luz. Ele veio, foi necessário…  Os seres humanos, por demais afastados da luz, não a reconheceram.

João é, portanto, a voz do que clama aos ouvidos insensíveis; voz do que grita na amplidão surda, vazia, solitária e silenciosa de uma natureza humana afastada de Deus.

A festa de casamento de Caná da Galiléia fecha a grande semana de inauguração do Ministério de Jesus e manifesta a presença de Deus feito homem, no seio da humanidade. Deus, em Jesus Cristo, revela-se como uma alegre e gloriosa festa de casamento; como um vinho arrebatador: o vinho bom miraculoso que se entregou ao sacrifício para alegria e salvação de muitos.

“Finda a festa, desceram a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ali ficaram apenas alguns dias. Em seguida, veio a Primeira Páscoa – a Purificação do Templo, Jesus subiu a Jerusalém. “



Analista de Sistemas. Filho de Pedro Furtado Leite


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