EVANGELHO SEGUNDO SÃO JOÃO: O MISTÉRIO DO TERCEIRO DIA

  (em edição)

“O MISTÉRIO DO TERCEIRO DIA”/ VÍDIO “ROSA DE SAROM”,

 (audio, Oficinas de Oração e Vida, Fr. Ignácio Larañaga), (in memoriam)

 

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Ressurreição: Eis o novo Templo!…

“Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias” (Jo 2,19).

 Posso imaginar Jesus de pé no meio deles, figura extraordinária, como no quadro acima, pronunciando estas palavras com os braços estendidos, apontando a terra que por três dias o escondeu; mostrando também Seu corpo vivamente animado pelo Espírito Santo, numa amorosa atitude de entrega. 

 Jesus Cristo, o bendito filho de Maria é, também, e prioritariamente, o unigênito do Pai: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus. Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.” (Jo 1,1-3)

  Eram tempos difíceis aqueles de Jesus… Dois templos estavam em perigo: o de Jerusalém, casa de comércio para os vendilhões; e o Templo-Corpo Jesus Cristo, Casa que Deus-Pai edificou para Sua morada com a humanidade.

    Preservado no anonimato da pequena Nazaré da Galiléia, é inacreditável, mas Deus Se escondia no menino que crescia sob o paciente olhar de Maria e de Sua humilde família. 

    Havia um costume, uma tradição: todos os anos a família de Jesus ia a Jerusalém para a festa da Páscoa; era o tempo para estreitamento de laços entre Jesus, o templo vivo brotado de Deus, e o templo dos doutores da lei, uma imponente edificação humana.

    A Palavra de Deus ensina que tendo Jesus completado doze anos, subiram mais uma vez a Jerusalém para a festa. “Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. Todos os que o ouviam estavam maravilhados da sabedoria de suas respostas. Quando eles o viram, ficaram admirados. E sua mãe disse-lhe: Meu filho, que nos fizeste?! Eis que teu pai e eu andávamos à tua procura, cheios de aflição. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai? Eles, porém, não compreenderam o que ele lhes dissera. Em seguida, desceu com eles a Nazaré e lhes era submisso. Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração. E Jesus crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 41-52)

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Jesus entre os doutores. Por Giotto, na Basílica de São Francisco, Itália.

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Jesus entre os doutores. Por Cima da Conegliano, no Museu Nacional de Varsóvia, Polônia.

Que significam doze anos de idade no tempo de Jesus? Significam já, experiência, império da adolescência.

    Hoje, dizem que na adolescência a criatura humana já transitou da infância para uma fase psicologicamente mais elaborada, equilibrada e objetiva; apresenta-se mais razoável, altruísta e com maior autoridade sobre si mesma; demonstra grande respeito aos valores da justiça, da verdade, da lei, da vida, da lealdade e etc.; possui, pois, mais autenticidade em suas manifestações lógicas; é, em geral, criatura entusiástica, expansiva, determinada e mais sensível aos sentimentos alheios. Doze anos, portanto, apontam para reflexibilidade com objetividade, responsabilidade, maturidade, razão…

    É majestosa a festa da Páscoa dos Judeus, povo separado e longamente trabalhado, acompanhado por Deus; povo que tem sua vida toda em Deus e uma festa Pascoal de amplitude semanal.

    Uma semana de festa aos doze anos e três dias de aflição: o Menino-Deus, desaparecido, é encontrado no templo, com os doutores, tratando das coisas do Pai e, depois, volta ao anonimato de Nazaré.

  Idade e aflição, entre os seres humanos, costumam crescer, dar as mãos e caminhar juntas até o último suspiro.

   A festa da Páscoa do povo de Jesus fala alto aos corações dos filhos de Israel. Alegra sua alma, vivifica sua história e relembra que o “Eu Sou” é o seu Deus e Deus de seus pais. É o Deus que do Egito os resgatou, depois de fazer arder, consumir, o coração de Moisés, o servo do Senhor criado no palácio do Faraó; o líder conduzido a conhecer a estranha montanha do Altíssimo, más que não ousou olhar para Deus, ocupando-se com uma sarça que ardia sem se consumir…

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Moisés admira a sarça que arde sem se consumir.

 

O Deus de Jacó é único, e só Ele pode realizar grandes feitos. Por isto, o Salmo 145:

“Aleluia. Louva, ó minha alma, o Senhor! Louvarei o Senhor por toda a vida. Salmodiarei ao meu Deus enquanto existir. Não coloqueis nos poderosos a vossa confiança, são apenas homens nos quais não há salvação. Quando se lhe for o espírito, ele voltará ao pó, e todos os seus projetos se desvanecerão de uma só vez. Feliz aquele que tem por protetor o Deus de Jacó, que põe sua esperança no Senhor, seu Deus. É esse o Deus que fez o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; que é eternamente fiel à sua palavra, que faz justiça aos oprimidos, e dá pão aos que têm fome. O Senhor livra os cativos; o Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor ergue os abatidos; o Senhor ama os justos. O Senhor protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva; mas entrava os desígnios dos pecadores. O Senhor reinará eternamente; ó Sião, teu Deus é rei por toda a eternidade.”

  Jesus, Deus fazendo história com Suas criaturas, é o Eterno falando do Eterno ao efémero ser humano, com o propósito de eternizá-lo em Sua glória.  

  Jesus, como todo judeu, aprendeu desde cedo, o Shema. Quantas vezes Ele o recitou em Sua divina humanidade?… Desde muito cedo Jesus reza enquanto aponta Deus a Israel:

“Escuta ó Israel, o Eterno é nosso Deus! O Eterno é Único. Bendito seja o nome e a glória do seu Reino por todo o sempre. Amarás ao Eterno, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda tua força. Que estas palavras que hoje te ordeno sejam gravadas no teu coração! Tu as ensinarás aos teus filhos, falando delas ao te sentares na tua casa, quando estiveres caminhando, ao te deitares e ou te levantares. E as atarás de sinal á tua mão e as manterás como um símbolo entre os teus olhos. E as escreverás nos batentes da tua casa e nas tuas portas.”

O Deus de Jesus é bondoso e paciente!…

O tempo ia passando e Jesus, gastando Seu tempo, gastava-se, ao mesmo tempo, enquanto crescia em sabedoria e graça diante de Deus e dos homens; caminhando entre Nazaré e o templo de Jerusalém, Ele é o Círio Pascal que Se gasta plenamente sob a chama ardente, fogo do Espírito Santo, luz do mundo.

Já se ia despontando o sol da justiça, da plenitude dos tempos, e sopravam as primeiras rajadas do vento geral de salvação, com João Batista pregando e batizando nas águas do Jordão. 

Ó meu Deus quanta paciência e ternura, quanta bênção, quanto amor e determinação!…

Posso imaginar a natureza, a força e a singeleza daqueles dias de Jesus: a alegria dos pássaros, a beleza e a abundância das flores embaladas pelo vento; e elas, as flores, mirando o firmamento repleto de luz, inundando o ar com agradáveis odores. Raios de sol das manhãs, reverberando no orvalhado tapete de frescas ervas, tingem de verde-louro as plantas recém-esculpidas, lindamente vestidas, pelas hábeis e generosas mãos do Deus de amor. E Jesus, o lírio formoso dos vales, amadurece como a rosa de Saron, juntamente com Sua messe…

A messe naquele momento apresenta-se como um imenso trigal açoitado pelo vento do tempo novo. Um trigal que se deixa açoitar pela força da palavra do eloquente Batista e já exala o estimulante aroma de sua bendita florada, em seus primeiros ímpetos de conversão.

Batismo de Jesus

Jesus é batizado por João, no rio Jordão.

E João dizia: “Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor! “ (Jo 1,23).

Uma aguda inquietação povoa de Jesus o coração. Apontado por João como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, eis que Jesus é por João batizado e depois, é silenciado por quarenta dias, na solidão do deserto; ali, é confrontado com forças espirituais demoníacas para, depois, ir agrupar-se com os primeiros discípulos…

Em seguida, o grupo é convidado a uma festa de casamento. E Jesus, antes de premiar a messe com grandes conversões humanas, a exemplo do Batista, foi conduzido a converter água em vinho, nas bodas de Canaã. Ele antecipou, assim, Sua hora, em atenção à oração de Maria, Sua Mãe.

Jesus transforma água em vinho nas Bodas de Canaã, Seu primeiro milagre.

Vive-se, então, o alvorecer de um novo tempo, o primeiro raiar de sol da nova e eterna Aliança; começa-se a servir o vinho novo das bodas de Canaã para alegrar a festa da abertura das atividades que haveriam de preencher a vida pública do homem-Deus.

O Eterno já Se tinha dado todo o tempo que precisava e não havia mais tempo a esperar, o trigal já exibia maduras suas primeiras espigas. O vinho novo das Bodas de Cristo precisava ser servido às multidões, pois a última taça do vinho velho já se havia servido antes do milagre das Bodas de Canaã.

Jesus já não tem doze anos; tem, agora, doze discípulos e uma importante missão. Deus-Filho sai do silêncio e do anonimato para realizar os desígnios de Deus-Pai em meio às multidões.

Discipulos de Jesus

Jesus com Seus discípulos

A santa missão se desenrola; a messe é grande e está pronta para a ceifa mas, poucos são os operários!…

O nome de Jesus é propalado aos quatro ventos, com os Seus dons, pregações e milagres, e chega então, o momento final…

Jesus entra em Jerusalém montando um jumentinho, no primeiro dia da semana, domingo de Ramos. Inicia-se, assim, Sua última e definitiva semana pascal.

Jesus vai ao templo pela última vez; agora, acompanhado de doze discípulos. Dentre outros feitos, ele expulsa os vendilhões e faz uma importante revelação: “Perguntaram-lhe os judeus: Que sinal nos apresentas tu, para procederes deste modo? Respondeu-lhes Jesus: Destruí vós este templo, e eu o reerguerei em três dias. Os judeus replicaram: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu hás de levantá-lo em três dias?!… Mas ele falava do templo do seu corpo.” (Jo 2, 18-21)

Provavelmente, o dia iniciou turbulento e radioso, em Betânia, com os preparativos para a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, o que deve ter ocorrido após o meio dia do Domingo de Ramos (8º, de Nisã).

Quantos anos tinha Jesus?… Jesus – 33 anos? – um homem feito, Deus, montando um jumentinho, inaugura a grande semana da paixão que termina com sua gloriosa ressurreição, sete dias, após.

Segue a desafiadora procissão!…, provavelmente, numa tarde gloriosa, porém, tristonha!… O povo canta “Hosana nas alturas!… Bendito o que vem em nome do Senhor!…”. E a paciente montaria, pisoteando as palmas do caminho, transporta Deus num passeio inédito, por entre arrojadas criaturas; era único o seu destino… Eles conduziam o Cordeiro Imaculado às mãos de homens assassinos.

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Jesus entra em Jerusalém no domingo de ramos.

Esta semana, a última de Jesus, a um só tempo, se contrasta e se assemelha à aquela semana venturosa e verdadeira de Seus doze anos de idade. Que saudade!…

Jesus pertencia a uma família judaica verdadeira, muito ciosa do respeito que se deve ter à lei e às coisas de Deus e, também, dos homens. Certamente, conhecia as profecias a Seu respeito e elas não lhe eram agradáveis. A vinha do Pai, arrendada a vinhateiros infiéis, gente malvada, clamava por justiça precisava ser resgatada.

Por toda parte, respira-se um ar doentio de revolução. Jesus chora sobre Jerusalém, mirando o templo ao longe tristemente, em vão; ao mesmo tempo, Seu corpo templo avança com a multidão.

Não se sabe o dia em que Jesus, no verdor de seus dias, entrou na grande cidade com José e com Maria.

Uma semana em Jerusalém, com doze anos de idade, talvez não, mas com trinta e três, é certo: Jesus consolida tudo o quanto estava previsto a Seu respeito.

Quero imaginá-lO, aos doze anos, chegando num domingo (8º, de Nisã). Só que nas ruas da grande cidade ainda não se ouviam “Hosanas!.,.”; ainda não se viam palmas no caminho para o sublime pastor de ovelhas, para o Senhor da vinha, passar com o burrinho.

Por tudo o quanto se conhece dos acontecimentos que cercam Jesus desde muito antes do Seu previsto nascimento, pode se dizer: Ele foi conduzido aos doze anos pelo Eterno Pai e, com seus pais terrenos, a experimentar o peso do fardo que haveria de carregar em Sua vida pública e, especialmente, durante a salvadora semana de Sua paixão, morte e ressurreição. O Pai Deus estava com Ele, e Maria também, em pé, no pé da cruz.

Triste, porém bendita, aquela semana que, tendo terminado na escuridão da tumba cedida por José de Arimatéias, culminou no terceiro dia, com o Céu tocando a terra; a manifestação da glória de Deus iluminando o domingo da Ressurreição, devolvendo a alegria, primeiro, a Maria Madalena e, depois, aos demais amigos de Jesus.

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Jesus ressuscitou, na manhã do  terceiro dia, domingo (16 de Nisã).

Bendito seja Deus em seus anjos, em seus santos e em todas as Suas obras e, também, por nos haver alcançado com Sua graça!…
Os acontecimentos daquela duodécima Páscoa também não terminaram na sexta-feira; uma angústia ultrapassou o sábado porque somente no terceiro dia, (16º de Nisã, domingo), o desespero da perda de Jesus é dissipado, quando Ele é encontrado cuidando das coisas do Pai.

Aflitos, Maria e José retornam ao templo no terceiro dia a procura de Jesus desaparecido; tristemente, as mulheres voltam ao sepulcro, na manhã do terceiro dia, para prantear o corpo, lamentar a perda do Rei Messias.
Depois do desencanto, alegria e surpresa: Aos doze anos, no templo, entre os doutores da lei, Jesus é encontrado.
Aos trinta e três, no jardim do sepulcro, Ele aparece a Maria Madalena e a incumbe de ir comunicar a Boa Notícia de Sua ressurreição aos demais discípulos e amigos.
O mistério do terceiro dia é mistério de fé, de salvação.
Tudo é mistério porque não cabe à criatura sondar de seu Deus o coração.
O mistério do terceiro dia de Jesus se impõe e se realiza, no meio de nós, para a glória de Deus e para a salvação da humanidade.
Do mistério, Deus nos revela tudo o que nos basta saber. A pedagogia de Deus está também em Jonas que se entrega aos marinheiros para ser lançado fora do navio, ser sepultado no ventre do mar, da terra, da baleia, para ser conduzido ao porto seguro e levar a salvação a Nínive, a Jerusalém, a todos os seres humanos de boa vontade.
No mistério do terceiro dia, Deus disse e assim se fez:
Deus disse: “Que as águas que estão debaixo dos céus se ajuntem num mesmo lugar, e apareça o elemento árido.” E assim se fez.
Deus chamou ao elemento árido Terra, e ao ajuntamento das águas Mar. E Deus viu que isso era bom.
Deus disse: “Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente.” E assim foi feito.
A terra produziu plantas, ervas que contêm semente segundo a sua espécie, e árvores que produzem fruto segundo a sua espécie, contendo o fruto a sua semente. E Deus viu que isso era bom.
Sobreveio a tarde e depois a manhã: Foi este o terceiro dia.

Ó SUBLIME MISTÉRIO DO TERCEIRO DIA!…

Sites consultados:

http://acaminhoteologia.blogspot.com.br/2013/03/cronologia-da-semana-santa.html

http://educacao.aaldeia.net/psicologia-crianca-1012-anos/

http://www.doutrinasbiblicas.com/pascoajudaica_t/pascoajudaica.htm

http://www.metodistavilaisabel.org.br/docs/Cronologia_da_Semana_Santa.pdf

http://grupoevangelicofranciscano.blogspot.com.br/2011/04/cronologia-da-semana-santa.html

http://saudedalma.blogspot.com.br/2011/04/paixao-de-nosso-senhor-jesus-cristo.html

http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=1967&head=0

http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=1967&head=0

http://www.bibliacatolica.com.br/conhecendo-a-biblia-sagrada/33/

http://roddemetrio.blogspot.com.br/

http://www.capuchinhos.org/biblia2/a-biblia-responde/530-quem-descobriu-o-tumulo-vazio-de-jesus.

http://sombradoonipotente.blogspot.com.br/2014/03/por-que-jesus-e-chamado-de-rosa-de-saron.html




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