QUESTÃO 312 – YOUCAT: DE QUE MODO UMA PESSOA SABE QUE PECOU?

(Em edição)

QUESTÃO 312: DE QUE MODO UM

A PESSOA SABE QUE PECOU?

 

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http://ocaminho.org.br/nao-ha-santo-sem-passado-e-nem-pecador-sem-futuro-pe-gilson-sobreiro.html.

YouCat responde: Uma pessoa sabe que pecou pela consciência que a acusa e a move a reconhecer os seus erros perante Deus. [1797,1848]. 229, 295-298.  

REFLEXÃO

De que modo uma pessoa sabe que pecou?

O tema é provocante e tem aguçado a mente de muitos estudiosos, de ontem e de hoje. Em território afastado de Deus, fora da ótica cristã, por exemplo, o pecado sequer é cogitado. Apresento, a seguir, algumas abordagens da Sagrada Escritura:

A Lei e o Pecado: Romano 7 e 8, 1-16

(Consciência dividida ante os domínios da Lei de Deus e da Lei do Pecado;  Jesus Cristo,  única Salvação)

“Ignorais, irmãos (falo aos que têm conhecimentos jurídicos), que a lei só tem domínio sobre o homem durante o tempo que vive? Assim, a mulher casada está sujeita ao marido pela lei enquanto ele vive; mas, se o marido morrer, fica desobrigada da lei que a ligava ao marido. Por isso, enquanto viver o marido, se se tornar mulher de outro homem, será chamada adúltera. Porém, morrendo o marido, fica desligada da lei, de maneira que, sem se tornar adúltera, poderá casar-se com outro homem”. 

“Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei, pelo sacrifício do corpo de Cristo, para pertencerdes a outrem, àquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos frutos para Deus. De fato, quando estávamos na carne, as paixões pecaminosas despertadas pela lei operavam em nossos membros, a fim de frutificarmos para a morte. Agora, mortos para essa lei que nos mantinha sujeitos, dela nos temos libertado, e nosso serviço realiza-se conforme a renovação do Espírito e não mais sob a autoridade envelhecida da letra”. 

“Que diremos, então? Que a lei é pecado? De modo algum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei. Porque não teria idéia da concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Ex 20,17). 

“Foi o pecado, portanto, que, aproveitando-se da ocasião que lhe foi dada pelo preceito, excitou em mim todas as concupiscências; porque, sem a lei, o pecado estava morto”. 

“Quando eu estava sem a lei, eu vivia; mas, sobrevindo o preceito, o pecado recobrou vida, e eu morri. Assim o mandamento, que me devia dar a vida, conduziu-me à morte. Porque o pecado, aproveitando da ocasião do mandamento, seduziu-me, e por ele me levou à morte”.  

“Por conseguinte, a lei é santa e o mandamento é santo, e justo, e bom… “

“Então o que é bom tornou-se causa de morte para mim?”

“De certo que não. Foi o pecado que, para se mostrar realmente pecado, acarretou para mim a morte por meio do que é bom, a fim de que, pelo mandamento, o pecado se fizesse excessivamente pecaminoso.” 

“Sabemos, de fato, que a lei é espiritual, mas eu sou carnal, vendido ao pecado. Não entendo, absolutamente, o que faço, pois não faço o que quero; faço o que aborreço. E, se faço o que não quero, reconheço que a lei é boa. Mas, então, não sou eu que o faço, mas o pecado que em mim habita. Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita.” 

“Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros.” 

“Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?… Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!”

Assim, pois, de um lado, pelo meu espírito, sou submisso à lei de Deus; de outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado.”

“De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo.”

“A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito. Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. Ora, se Cristo está em vós, o corpo, em verdade, está morto pelo pecado, mas o Espírito vive pela justificação. Se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós.”

“Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. Porquanto não recebestes um espírito de escravidão para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! O Espírito mesmo dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus.”

As ovelhas escutam a sua voz, Ele chama cada uma pelo nome e as leva para fora.” (Jo 10.3)

“É interessante sentirmos como em momentos de sofrimento nos tornamos mais sensíveis a Deus. Parece que toda nossa força humana desaparece, nos esvaziamos de nós mesmos e enxergando-nos cheios de “nada”, nos deparamos com nosso tudo: o próprio Deus.

Assim deve se sentir também a ovelha perdida, em sofrimento ao perceber que se desgarrou do rebanho e de seu Pastor. E, sendo encontrada e chamada pelo nome, depara-se com seu tudo: o seu Pastor.

Por que na parábola do Bom Pastor o Senhor nos compara com ovelhas?

Primeiro porque as ovelhas são os únicos animais que não sabem se defender. Estão alheias à sorte e se encontram no fim da cadeia alimentar, pois não têm nenhuma habilidade de luta. A Palavra vem nos dizer que Cristo deu sua vida por suas ovelhas, para que estas não se perdessem. Ainda, nos diz que Ele veio por “aqueles que estão perdidos”.

Isso evidencia o quanto somos dependentes dos cuidados do Senhor, por nossa fragilidade inata, por nossa capacidade de facilmente nos desviarmos do Seu guiar, de não ouvirmos sua voz e, assim, nos afastarmos, até percebermos o quanto nos perdemos na vida.

E quantas vezes nos posicionamos certos de que podemos caminhar sozinhos e de que saberemos até onde podemos ir?

De fato, Deus nos concede o livre-arbítrio para escolhermos o caminho que julgarmos melhor como nossa opção de vida. Como diz o filósofo francês Jean-Paul Sartre: “Somos escravos de nossa própria liberdade”.

Entretanto, assim como a ovelha perdida, que ao ouvir a voz de seu pastor retorna ao rebanho, não podemos duvidar jamais da compaixão incondicional de nosso Senhor, que nos chama incansavelmente pelo nome, durante todo o nosso caminhar.

Pedro foi também uma das ovelhas que reconheceu a voz de Jesus como sendo o Messias e após ser questionado lhe respondeu: “Senhor, para onde irei? Só Tu tens palavra de vida eterna” (Jo. 6, 68).

Outra característica da ovelha é que ela é capaz de produzir lã a todo tempo, desde o seu nascimento. E quanto mais tosquiada, mais lã produz. Os dons e talentos que Deus nos deu são como a lã. Não nos pertencem, mas são todos do Senhor. Quanto maior for a nossa intimidade com Ele, maior será também nossa capacidade de dar frutos bons.

Deus não se encerra em nossos erros e pecados, mas nos alcança em nossa essência primitiva, pois sabe o que somos capazes de produzir.

Certa vez, nosso fundador, Pe. Gilson Sobreiro, me disse: “Não há santo sem passado e nem pecador sem futuro”. Eis aí o motivo pelo qual Deus entregou seu próprio Filho à morte de cruz.

Deus nos conhece sem máscaras, independente daquilo que fazemos ou fizemos, do que os outros enxergam em nós e de nossa própria auto-visão. Ele nos capacita e nos ama, nos chama pelo nome e nos resgata sem impor condições. Não será o nosso passado ou nosso presente que nos determinará. É fato que não podemos nos acomodar na certeza da misericórdia do Senhor e por conta disso abusar dessa graça.

Contudo, também não podemos viver de auto-condenações, medos, julgamentos que se fundamentam naquilo que existe em nós e que não vem do coração de Deus. Ele sim nos quer livres. Somente um homem livre é capaz de se conhecer e assim experimentar a graça do amor de Deus.

A voz de Deus nos alcança não para nos condenar, mas para que sejamos capazes de crer que Ele quer nos dar vida nova, hoje e sempre, independente do que lhe oferecemos no nosso ontem. Experimentar o amor de Deus não pode ser um fardo, mas algo para ser eternizado em nós, sem negociações.

Se você se lembra do dia em que o Senhor te chamou pelo nome e hoje se sente como a ovelha perdida, é preciso recordar das palavras de Santo Agostinho: “Não sou aquilo que gostariam que eu fosse e nem tão pouco sou aquilo que gostaria de ser. De uma coisa, porém, estou certo, eu já não sou mais o mesmo.”

O que Deus espera de nós é que ainda sejamos capazes de ouvir a Sua voz. Somos os seus eleitos. Talvez nos falte capacidade para nos enxergarmos com o olhar de Deus, pois não sabemos nos perdoar.

Que não nos esqueçamos que somos como a ovelha e que Jesus nos diz: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; poderá entrar e sair, e encontrará pastagem.” (Jo. 10, 9).

Ei, ovelha, será que existe pecado maior do que duvidar da misericórdia do Senhor?

Lembre-se que somos as ovelhas e Deus o nosso Pastor!”

Roberta Rizzo (Leiga Associada da Fraternidade O Caminho)




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