QUESTÃO 226: SE TEMOS O BATISMO QUE NOS RECONCILIA COM DEUS, PARA QUE PRECISAMOS AINDA DE UM SACRAMENTO ESPECÍFICO PARA A RECONCILIAÇÃO?

(texto em edição)

Confessionario-Para francisco

O Santo Padre o Papa Francisco ao confessionário.

YouCat responde: “O Batismo retirou-nos do poder do pecado e da morte, colocou-nos na Vida nova dos filhos de Deus; todavia, ele não nos liberta da fraqueza humana nem da inclinação para o pecado, daí que precisamos de um espaço onde nos possamos reconciliar de novo com Deus e que é precisamente a confissão. [1425-1426]”

 

 

 

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A volta do filho pródigo. Rembrandt Harmensz van Rijn

E continua: “Não é moderno confessar-se; é difícil e exige sacrifício no início. Mas é uma das maiores graças podermos recomeçar a vida várias vezes, assumindo-a realmente sempre de um novo modo, totalmente sem pesos e sem as hipotecas do ontem, acolhidos com amor e guarnecidos de nova força. Deus é misericordioso e nada deseja com maior ardor do que nós aproveitarmos ao máximo a Sua misericórdia. Quem se confessou abriu, no livro de sua vida, uma página nova.” 67-70

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.” 1Jo 1,8

“Disse-lhe o filho: “Pai, pequei contra o Céu e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho.” Mas o pai disse aos servos: “Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha! Ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés.” Lc 15, 21-22

REFLEXÃO

Verdadeiramente, o batismo é o mergulho da ovelha desgarrada, perdida e reencontrada, no mar imenso do perdão; é um banho intenso no oceano de luz da salvação; é a porta de acesso ao Reino da Graça; é mais do que conversão, é a imersão no Espírito Santo de Deus.
O batismo é, portanto, o ponto de partida da caminhada de santificação, porque Jesus Cristo fez-Se humano, cumpriu os desígnios do Pai entre nós e ressuscitou dos mortos, abrindo-nos o caminho da eterna glória.
A glória do Pai é o destino do cristão. Nisto consiste a vinda de Cristo, o novo Adão.
No princípio, a humanidade contraiu uma dívida, assinou uma hipoteca e tornou-se refém do inimigo de Deus; um início desastroso que lhe custou a expulsão do Paraíso.
Expulsa da presença porém, não abandonada, a família humana, obviamente, continuou sendo abençoada, objeto da atenção de Deus, d’Ele recebeu a promessa de resgate na dura lida da estrada.
E, após longos embates por ínvios caminhos, eis que a natureza se apressa, cumpre Deus Sua promessa, e nos vem o Salvador.
Do seio maternal da própria humana raça, por ação do Espírito Santo, Deus mesmo submete-se à natureza humana, obra de Suas mãos, fazendo-se nascer como qualquer mortal, e o fez por meio de Sua serva, Maria sempre virgem, em Seu imenso amor, cumulando-a de Sua graça infinita.

Passagens bíblicas correlativas:

“Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas”. (Hb 1,2)

Hb. 10, 1-17:
1. A lei, por ser apenas a sombra dos bens futuros, não sua expressão real, é de todo impotente para aperfeiçoar aqueles que assistem aos sacrifícios que se renovam indefinidamente cada ano. 2. Realmente, se os fiéis, uma vez purificados, não tivessem mais pecado algum na consciência, não teriam cessado de oferecê-los?
3. Pelo contrário, pelos sacrifícios se renova cada ano a memória dos pecados.
4. Pois é impossível que o sangue de touros e de carneiros tire pecados.
5. Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo.
6. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam.
7. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss).
8. Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais).
9. Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia.
10. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.
11. Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados,
12. Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus,
13. onde espera de ora em diante que os seus inimigos sejam postos por escabelo dos seus pés (Sl 109,1).
14. Por uma só oblação ele realizou a perfeição definitiva daqueles que recebem a santificação.
15. É o que nos confirma o testemunho do Espírito Santo. Depois de ter dito:
16. Eis a aliança que, depois daqueles dias, farei com eles – oráculo do Senhor: imprimirei as minhas leis nos seus corações e as escreverei no seu espírito,
17. acrescenta: dos seus pecados e das suas iniqüidades já não mais me lembrarei (Jr 31,33s).

O Batismo retirou-nos do poder do pecado e da morte, colocou-nos na Vida nova dos filhos de Deus. Significa que Deus teve misericórdia, pagou nossa dívida, liberou-nos da hipoteca que nos privava da graça santificante.
Deus perdoou-nos, desenhou uma cruz vermelha com o sangue de Seu Filho Jesus sobre a humana e paradisíaca assinatura.
A hipoteca foi paga!…
Aleluia!…
Entretanto, resta-nos uma tarefa que nos foi dada por Nosso Salvador: é preciso trabalhar a natureza humana, é preciso amar para viver e viver para amar.
Aprender a amar é para o cristão como aprender a voar porque Cristo lhe trouxe inquietação; um desejo imenso queima-lhe o coração, a um só tempo, feliz e aflito; e faz dele um arco tencionado com uma flecha posicionada apontando ao infinito.
A responsabilidade do amor nos conduz aos dez mandamentos da Lei de Deus.
O “decálogo”, em resumo, nos convoca à observância quotidiana de nossa relação com Deus e com o ser humano, com quem convivemos. E o santo Evangelho nos ensina, ainda: mente todo aquele que diz amar a Deus a quem não vê e não ama o irmão a quem vê.
Certamente, se amamos a Deus a quem não vemos, com maior razão, amaremos ao irmão a quem vemos.

“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”

Dai, o sacramento da reconciliação. Ele tem lugar quando nos esquecemos de amar. Nossa meta é amar. Vivemos um processo de aprendizagem, caindo e levantando e implorando a misericórdia de Deus.
Deus, infinitamente misericordioso, está sempre bem disposto ao perdão, claro, a nossa sinceridade na luta é fundamental.

A MISERICÓRDIA

(texto derivado de aulas, Curso sobre a Misericórdia: Padre Paulo Ricardo A. Jr.)

“A misericórdia é a compaixão que o nosso coração experimenta pela miséria alheia, que nos leva a socorrê-la, se o pudermos” (Santo Agostinho, De civitate Dei, IX, 5).

Miséria e Misericórdia que se olham e se amam: Eis a criatura diante do seu Criador.

O quadro do filho pródigo de Rembrandt realça bem a grandeza da Misericórdia de Deus e a extensão da miséria humana.

O Papa Francisco e o Ano da Misericórdia

«Pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos fazer este caminho. Por isso decidi proclamar um jubileu extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano santo da misericórdia». Anunciou o Papa Francisco na tarde de sexta-feira 13 de Março, segundo aniversário da sua eleição ao Pontificado, durante a celebração da penitência presidida na basílica vaticana. (http://www.elodafe.com.br/)

Misericórdia é um tipo de amor com uma característica especial que supõe um desnível entre quem ama e quem é amado; supõe alguém que tem algo a mais e vem em socorro de alguém que tem algo a menos.
Uma dura realidade: a sociedade igualitária é regida por lei, pela justiça; portanto, é conflituosa e não considera a misericórdia. Misericórdia é uma realidade que ultrapassa a justiça.

Importa saber que entre iguais pode haver amor porém, não pode haver misericórdia. Há amor (caridade) e não misericórdia entre as pessoas da Santíssima Trindade, porque as três pessoas são iguais.
O amor divino quando se volta para a criatura, é amor misericórdia; adquire esta característica por ser um amor de quem tem mais voltado para quem tem menos.
Assim, a minha existência já é uma realidade fruto da misericórdia divina.
Esta misericórdia é ilimitada, ela nos é dada também depois do pecado; e precisamos então, do perdão, da remissão de nossos pecados.

Na sociedade da misericórdia doa-se muito mais do que se deve, ou do que alguém tem a reivindicar como de direito, há generosidade, vai-se alem do merecimento. Assim é Deus para conosco… E eu preciso me dar conta da minha miséria… Diante de Deus, sou miserável. O padre franciscano Benedict Joseph Groeschel dizia: diante de Deus sou uma verdadeira farsa. Isto é verdade. Precisamos assumir esta miséria para alcançarmos a misericórdia de Deus.
Então, chega-se a um ponto crucial, aliás, a uma triste encruzilhada onde muitos de nós nos perdemos, no mundo de hoje; mundo que transformou o pecado em divertimento, lazer e pior, em motivo de orgulho. O pecado saiu da obscuridade, ganhou fama e desfila orgulhosamente pelas avenidas do mundo, em manifestações em que as pessoas se orgulham de sua miséria.
Como falar em misericórdia!… Como ter misericórdia de alguém que não reconhece a própria miséria e, pelo contrário, orgulha-se dela?
É difícil!… Porém, é preciso compreender que pessoas assim são as que mais necessitam de misericórdia pois, perderam o justo sentido.
Isto lembra as palavras de Jesus na cruz:
“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34)

As características da misericórdia:

Vimos que a miséria caracteriza-se pela falta de algo em alguém e o objeto da misericórdia é sempre a criatura.
E qual a atitude de quem tem misericórdia?
Em primeiro lugar, misericórdia nos lembra coração; voltar o coração para o miserável.
Misericórdia é virtude teologal porque é caridade.
As três importantes característica da Misericórdia:
1) AFETIVIDADE: Afeto é tipico do ser humano; passou a existir em Deus porque Deus se fez homem;
2) EFETIVIDADE: Requer ação, socorro efetivo, há que arregaçar as mangas e prestar o auxílio necessário;
2) RETA RAZÃO: Aquilo que vou fazer em favor de alguém necessitado tem de ser sensato.
Um exemplo: a um filho que cai nas drogas, sua mãe tem um amor afetivo. Quando ele, como muita luta, começa a se libertar ainda está sujeito a surtos; as vezes, ficar exasperado, arrancando seus próprios cabelos e quebrando tudo ao redor. Tratam-se de crises desastradas… Então sua mãe, com amor afetivo, vai comprar droga para socorrer o filho, para vê-lo parar de sofrer. Ela fez tudo certo mas faltou a reta razão.

A verdadeira misericórdia está associada à verdade. Na mentira não há misericórdia. ENCONTRAM-SE: MISERICÓRDIA E VERDADE.
Não se pode fazer misericórdia dizendo: Deus é misericordioso, portanto, continue ai rastejando…
Ajudar o irmão a rastejar como serpente não é ter misericórdia visto que ele foi feito para voar; a grande misericórdia de Deus é o convite à santidade; há uma vocação universal à santidade.
E não somos chamados para sermos bonzinhos, somos sim, chamados a sermos santos porque Deus é santo e generoso.
É como Jesus fez com Maria Madalena: “Ninguém ti condenou?… Vai e não peques mais…”
Não podemos ser condescendentes com o egoísmo dizendo: somos misericordiosos e, portanto, vamos deixar vocês caminharem para o abismo do pecado. Não!… Porque, do grande egoísta que sou, Deus quer fazer um grande santo. E é nisto que Deus Se regozija.



Pedro Furtado Leite Engenheiro Florestal aposentado.