QUESTÃO 43: O MUNDO É PORVENTURA PRODUTO DO ACASO?

(Em edição)
Youcat responde: “Não. A causa do mundo é Deus, não o acaso. Ele não é um produto de fatores sem sentido, tanto no que concerne à sua origem, como no que diz respeito à sua ordem interna e ao seu fim. [295-301, 317-318, 320]
E continua: “Os cristãos acreditam que podem ler o manuscrito de Deus na Sua Criação. João Paulo II, em 1985, confrontou os cientistas que falam da totalidade do mundo como um processo casual, sem sentido e sem fim: “Perante este Universo em que estão patentes uma tão complexa organização dos seus elementos e uma tão maravilhosa orientação final na sua existência, falar de acaso seria o mesmo que abdicar de procurar a explicação do mundo tal como se nos apresenta. De fato, isto seria o mesmo que aceitar efeitos sem causa. Tal significaria a renúncia do entendimento humano, que assim rejeitaria o pensamento e a procura de uma solução para os problemas.” > 49.

Por acaso, o mundo é produto do acaso?

Citações youcat: “Isto [a inaudita precisão dos fenômenos do Big Bang] terá acontecido por acaso?! Mas que ideia absurda! Walter Thirring (* 1927, físico austríaco).
Não somos produto casual e sem sentido de Evolução. Cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus. Cada um é desejado, cada um é amado, cada um é necessário. Bento XVI, 228.04.2005.

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CIC: [295-301, 317-318, 320]

IV. O mistério da criação

DEUS CRIA POR SABEDORIA E POR AMOR


295) Cremos que Deus criou o mundo segundo sua sabedoria. O mundo não é o produto de uma necessidade qualquer, de um destino cego ou do acaso. Cremos que o mundo procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participarem de seu ser, de sua sabedoria e de sua bondade: “Pois tu criaste todas as coisas; por tua vontade é que elas existiam e foram criadas”. (Ap 4,11). “Quão numerosas são as tuas obras, Senhor, e todas fizeste com sabedoria!” (Sl 104,24). “O Senhor é bom para todos, compassivo com todas as suas obras” (Sl 145,9[a58] ).

DEUS CRIA “DO NADA”

296) Cremos que Deus não precisa de nada preexistente nem de nenhuma ajuda para criar. A criação também não é uma emanação necessária da substância divina [. Deus cria livremente “do nada”: Que haveria de extraordinário se Deus tivesse tirado o mundo de uma matéria preexistente? Um artífice humano, quando se lhe dá um material, faz dele tudo o que quiser. Ao passo que o poder de Deus se mostra precisamente quando parte do nada para fazer tudo o que quer. 

297) A fé na criação a partir “do nada” é atestada na Escritura como uma verdade cheia de promessa e de esperança. Assim a mãe dos sete filhos os encoraja ao martírio: Não sei como é que viestes a aparecer no meu seio, nem fui eu que vos dei o espírito e a vida, nem também fui eu que dispus organicamente os elementos de cada um de vós. Por conseguinte, foi o Criador do mundo que formou o homem em seu nascimento e deu origem a todas as coisas, quem vos retribuirá, na sua misericórdia, o espírito e a vida, uma vez que agora fazeis pouco caso de vós mesmos, por amor às leis dele… Eu te suplico, meu filho, contempla o céu e a terra e observa tudo o que neles existe. Reconhece que não foi de coisas existentes que Deus os fez, e que também o gênero humano surgiu da mesma forma (2 Mc 7,22-23.28). 298) Uma vez que Deus pôde criar do nada, pode, pelo Espírito Santo, dar a vida da alma a pecadores, criando neles um coração puro, e a vida do corpo aos falecidos, pela ressurreição, Ele, “que faz viver os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4,17). E uma vez que, pela sua Palavra, pôde fazer resplandecer a luz a partir das trevas, pode também dar a luz da fé àqueles que a desconhecem.

DEUS CRIA UM MUNDO ORDENADO E BOM

299) Já que Deus cria com sabedoria, a criação é ordenada: “Tu dispuseste tudo com medida número e peso” (Sb 11,20). Feita no e por meio do Verbo eterno, “imagem do Deus invisível” (Cl 1,15), a criação está destinada, dirigida ao homem, imagem de Deus, chamado a uma relação pessoal com Ele. Nossa inteligência, que participa da luz do Intelecto divino, pode entender o que Deus nos diz por sua criação, sem dúvida não sem grande esforço e num espírito de humildade e de respeito diante do Criador e de sua obra. Originada da bondade divina, a criação participa desta bondade: “E Deus viu que isto era bom… muito bom” (Gn 1,4.10.12.18.21.31). Pois a criação é querida por Deus como um dom dirigido ao homem, como uma herança que lhe é destinada e confiada. Repetidas vezes a Igreja teve de defender a bondade da criação, inclusive do mundo material.

DEUS TRANSCENDE A CRIAÇÃO E ESTÁ PRESENTE NELA

300) Deus é infinitamente maior que todas as suas obras: “Sua majestade é mais alta do que os céus” (Sl 8,2), “é incalculável a sua grandeza” (S1 145,3). Mas, por ser o Criador soberano e livre, causa primeira de tudo o que existe, Ele está presente no mais íntimo das suas criaturas: “Nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17,28). Segundo as palavras de Santo Agostinho, ele é “superior summo meo et interior intimo meo – maior do que o que há de maior em mim e mais íntimo do que o que há de mais íntimo em mim”.

DEUS MANTÉM E SUSTENTA A CRIAÇÃO

301) Com a criação, Deus não abandona sua criatura a ela mesma. Não somente lhe dá o ser e a existência, mas também a sustenta a todo instante no ser, dá-lhe o dom de agir e a conduz a seu termo. Reconhecer esta dependência completa em relação ao Criador é uma fonte de sabedoria e liberdade, alegria e confiança: Sim, tu amas tudo o que criaste, não te aborreces com nada do que fizeste; se alguma coisa tivesses odiado, não a terias feito. E como poderia subsistir alguma coisa se não a tivesses querido? Como conservaria a sua existência se não a tivesses chamado? Mas a todos perdoas, porque são teus: Senhor, amigo da vida! (Sb 11,24-26)

317) Só Deus criou o universo, livremente, diretamente, sem nenhuma ajuda.

318) Nenhuma criatura tem o poder infinito que é necessário para “criar” no sentido próprio da palavra, isto é, produzir e dar o ser àquilo que não o tinha de modo algum (chamar à existência “ex nihilo” “do nada”).

319) Deus criou o mundo para manifestar e para comunicar sua glória. Que suas criaturas participem de sua verdade, de sua bondade e de sua beleza, é a glória para a qual Deus as criou.

320) Deus, que criou o universo o mantém na existência por seu Verbo, “este Filho que sustenta o universo com o poder de sua palavra” (Hb 1,3) e pelo seu Espírito Criador que dá a vida.

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REFLEXÃO
A questão é muito interessante. 
Ela nos leva a refletir sobre um aspecto muito gritante, ainda, hoje: a apropriação criminosa.
Como ilustração, posso fazer referência ao chamado “Descobrimento” e colonização das Américas. 
Singrando os mares, a Europa medieval alcançou terras, ditas, desconhecidas: as Américas. 
Descortinando horizontes, o navegador avistou grandes continentes, repletos de riquezas naturais, vibrantes de vida e calor humano. 
Claro, era uma natureza diferente, governada por seres humanos diferentes, e protegida das “arengas civilizatórias europeias”, nas imensidões oceânicas ocidentais remotas do planeta. 
Que fizeram os “descobridores”?
Desqualificaram e saquearam os habitantes da terra, destruíram sua cultura, e até os escravizaram, e apropriaram-se de suas riquezas, como quem encontra uma mina de ouro abandonada ou uma joia valiosa perdida nas areias de uma praia deserta. 
Apropriaram-se de tudo e consideraram os donos da terra como objeto integrante das riquezas, passivos, também, de exploração econômica.
Não reconheceram os habitantes das Américas como dignos e legítimos proprietárias do imenso patrimônio natural, a terra em que nasceram. 

O acaso conduziu os navegadores àquelas riquezas “sem dono”?

Este é o ponto: Eles não chegaram ali por acaso e, não por acaso, a terra possuía legítimos donos,  enganosamente, chamados Índios.
Desqualificar os donos da terra para apropriar-se dela é o mesmo que desconsiderar a existência de Deus e dizer que a Criação é obra do acaso.
Pronto!…
Deus não existe!
Tudo é obra do acaso!
Somos os donos do mundo! 
Prevalece a lei do mais forte, do mais apetrechado, do mais ambicioso e astuto.
Deste modo, a razão da existência humana resume-se no usufruto dos bens terrenos!
Que legal!… Estamos no melhor dos mundos, no “paraíso” da irresponsabilidade, onde vive-se o aqui e agora, sem preocupação com a consequência de nossos atos, e, com o futuro; podemos tudo, inclusive comer os frutos da vinha e jogar o lixo no riacho.
Destruímos, alegremente, a natureza acreditando que a vida é isto mesmo; e não há a quem prestar contas.

Os adeptos do acaso (Evolucionistas) são seres humanos tão inteligentes e evoluídos quanto os adeptos do Criacionismo. Ambos os grupos têm igual capacidade de reflexão e de entendimento do mundo em que vivemos. Fundamentalmente, eles diferem, apenas, quanto à aceitação de um Deus Criador(1). A não aceitação de Deus leva à não aceitação da revelação. E,  quando os Evolucionistas se defrontam com Jesus Cristo, fiel testemunha do Deus Criador,  não sabem o que fazer, e procuram desacreditá-lo ou minimizá-lo. 
A palavra de Deus, a seguir, nos defronta com a realidade das consequências dos nossos atos:  São Marcos 12, 1-9:  Biblia CNBB:
1. Jesus começou a falar-lhes em parábolas: “Um homem plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, cavou um lagar para pisar as uvas e construiu uma torre de guarda. Ele a alugou a uns lavradores e viajou para longe.
2. Depois mandou um servo para receber dos agricultores a sua parte dos frutos da vinha.
3. Mas os agricultores o agarraram, bateram nele e o mandaram de volta sem nada.
4. O proprietário mandou novamente outro servo. Este foi espancado na cabeça e ainda o insultaram.
5. Mandou ainda um outro, e a esse mataram. E assim diversos outros: em uns bateram e a outros mataram.
6. Agora restava ainda alguém: o filho amado. Por último, então, enviou o filho aos agricultores, pensando: ‘A meu filho respeitarão’.
7. Mas aqueles agricultores disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’.
8. Agarraram o filho, mataram e o lançaram fora da vinha.
9. Que fará o dono da vinha? Ele virá e fará perecer os agricultores, e entregará a vinha a outros.
Tanto a esperteza egoísta e destruidora que animou os “descobridores” e os agricultores citados na parábola, quanto a inesgotável incredulidade evolucionista, tem como pano de fundo a malícia do eterno inimigo de Deus e dos homens, aquele que divide, o Diabo.

(1) “Precisamos da fé, a filosofia só leva até a soleira da porta do entendimento das coisas divinas.”  

O link, a seguir, conduz a um áudio: aula nº 26-exemplos-de-ateísmo-jean-paul-sartre.mp3; 
do curso do Pe. Paulo Ricardo A. Jr.  que fundamenta esta matéria: 


Pedro Furtado Leite Engenheiro Florestal aposentado.